Cera de Abelha: Produção, Renovação e Utilizações
A cera de abelha é uma substância natural produzida pelas abelhas-operárias e utilizada na construção dos favos. É sobre estes favos que se desenvolve grande parte da vida da colónia: a rainha realiza a postura, as larvas são criadas e as abelhas armazenam mel e pólen.
Na apicultura, a qualidade e o estado dos favos influenciam diretamente o espaço disponível para a criação, a organização das reservas, o maneio e a higiene da colmeia. Por esse motivo, a renovação gradual da cera do ninho deve fazer parte do trabalho regular do apicultor.
Como é produzida a cera de abelha?
A cera é segregada por glândulas localizadas no abdómen das abelhas-obreiras. Surge inicialmente sob a forma de pequenas escamas quase transparentes, que as abelhas recolhem e trabalham com as mandíbulas.
Depois de amolecida e moldada, a cera é utilizada para construir as células hexagonais que formam os favos. A construção é mais intensa quando a colónia possui muitas abelhas jovens, temperaturas adequadas e uma boa entrada de alimento.
A produção de cera representa um esforço considerável para a colónia. Ao fornecer quadros com cera moldada, o apicultor orienta a construção dos favos e facilita uma organização mais regular no interior da colmeia.
Para que serve a cera dentro da colmeia?
Os favos de cera desempenham várias funções essenciais:
- Recebem os ovos colocados pela rainha;
- Abrigam as larvas durante o seu desenvolvimento;
- Armazenam mel e néctar;
- Armazenam pólen e pão de abelha;
- Permitem a organização do espaço interior da colmeia;
- Servem de superfície de comunicação e movimentação para as abelhas;
- Ajudam a estruturar a zona de criação e as reservas da colónia.
Por concentrar a criação, o alimento e grande parte da atividade das abelhas, o estado dos favos pode revelar muito sobre a organização e o histórico da colónia.
Porque fica a cera escura?
A cera recém-construída apresenta normalmente uma tonalidade branca ou amarelo-clara. Com a utilização, especialmente nos quadros de criação, torna-se progressivamente mais escura.
Depois do nascimento de cada abelha permanece na célula uma fina camada do casulo produzido durante o desenvolvimento larvar. Ao longo de sucessivos ciclos de criação acumulam-se casulos, própolis, pólen e outros resíduos.
A cor da cera também pode variar devido à origem da cera, ao contacto com própolis e pólen, à idade dos favos e às condições existentes no interior da colmeia.
Uma cera escura não significa automaticamente que exista uma doença. Contudo, favos muito antigos, deformados, com bolor ou excessivamente ocupados por resíduos devem ser gradualmente substituídos.
Porque devemos renovar os favos do ninho?
A renovação periódica da cera ajuda a manter quadros regulares, limpos e com espaço disponível para a postura da rainha e o armazenamento de alimento.
Entre as principais razões para renovar os favos encontram-se:
- Acumulação de casulos e resíduos nas células de criação;
- Favos muito escuros ou deformados;
- Células ocupadas por pólen antigo ou deteriorado;
- Presença de bolor provocado por humidade excessiva;
- Favos partidos, roídos ou com construção irregular;
- Acumulação de resíduos provenientes do ambiente ou de produtos utilizados na colmeia;
- Redução do espaço de postura disponível para a rainha;
- Necessidade de manter uma rotação regular dos quadros.
Com que frequência se deve renovar a cera?
Não existe uma idade exata aplicável a todos os favos. O momento da substituição depende da intensidade de utilização, do número de ciclos de criação, do estado da cera e das condições sanitárias da colónia.
Como orientação prática, numa colmeia com dez quadros de ninho podem ser renovados aproximadamente dois quadros por ano. Desta forma, completa-se uma rotação do conjunto de quadros num período aproximado de cinco anos.
Os quadros muito escuros, deformados, com bolor, danificados ou com suspeita de contaminação devem ser retirados mais cedo, sem esperar pelo final desse período.
Plano de renovação: substituir dois quadros por ano é uma referência simples para organizar o trabalho. A decisão final deve basear-se sempre no estado real de cada favo.
Qual é a melhor altura para renovar os favos?
A substituição é mais fácil durante os períodos de desenvolvimento da colónia, quando existe entrada de alimento, temperaturas adequadas e capacidade para construir nova cera.
Os quadros novos devem ser introduzidos gradualmente. A sua posição depende da força da colónia, da temperatura e da época do ano.
Numa colónia forte e em pleno desenvolvimento, um quadro com cera moldada pode ser colocado próximo da zona de criação. Em períodos frios ou em colónias pequenas, deve evitar-se dividir a criação ou criar um espaço que as abelhas não consigam aquecer.
Importante: nunca se deve separar a criação em dois blocos quando a população ou a temperatura não permitem que as abelhas mantenham toda a zona aquecida.
Como retirar os quadros velhos?
Uma forma de renovar os favos consiste em deslocar gradualmente os quadros mais antigos para a periferia do ninho. Quando deixarem de conter criação, podem ser retirados e substituídos por quadros com cera moldada.
O processo deve ser adaptado à organização da colónia:
- Identificar os favos mais velhos, escuros, deformados ou danificados;
- Confirmar se contêm criação, mel ou pólen;
- Deslocá-los gradualmente para a periferia, quando as condições o permitirem;
- Aguardar o nascimento da criação existente;
- Retirar o quadro quando estiver livre de criação;
- Introduzir um quadro com cera moldada numa posição adequada.
Os quadros com criação não devem ser retirados diretamente, exceto quando exista uma situação sanitária que o justifique e sejam seguidas as orientações adequadas.
Favos com pólen antigo, humidade ou bolor
Os quadros localizados na periferia podem ficar menos cobertos por abelhas durante o inverno. Em colónias pequenas ou colmeias com espaço excessivo, esses favos ficam mais expostos à humidade e ao aparecimento de bolor.
Pequenas áreas superficiais podem, por vezes, ser limpas pelas próprias abelhas quando a colónia volta a crescer. No entanto, quadros com bolor intenso, pólen deteriorado, odores anormais ou uma estrutura muito degradada devem ser retirados.
A presença repetida de humidade deve levar o apicultor a verificar:
- A ventilação da colmeia;
- A inclinação do estrado;
- A entrada de água pelo telhado;
- O isolamento superior;
- A exposição do apiário;
- A quantidade de espaço disponível em relação à população.
A rainha pode colocar ovos nas meias alças?
Sim. Quando não existe uma grade excluidora, a rainha pode subir e realizar postura nas meias alças, especialmente quando a colónia está em forte desenvolvimento ou falta espaço no ninho.
Esta situação não significa obrigatoriamente que a rainha rejeitou os favos do ninho. Pode resultar da expansão natural da zona de criação, da organização das reservas ou do maneio realizado pelo apicultor.
Se a criação se concentra nas meias alças e existe pouco espaço de postura no ninho, deve verificar-se:
- O estado e a idade dos favos do ninho;
- A existência de quadros bloqueados com mel ou pólen;
- A presença de favos deformados ou danificados;
- A organização da criação e das reservas;
- A necessidade de renovar ou reorganizar os quadros.
Como é recuperada a cera das colmeias?
A cera pode ser recuperada principalmente a partir dos opérculos retirados durante a extração do mel e dos favos eliminados durante a renovação dos quadros.
Cera de opérculos
Quando o mel está maduro, as abelhas fecham as células com uma fina camada de cera denominada opérculo. Durante a desoperculação, esta camada é cortada ou removida para permitir a extração do mel.
Os opérculos devem permanecer a escorrer para recuperar o mel existente antes de serem lavados ou derretidos. Esta cera é normalmente clara, recente e de elevada qualidade.
Cera de quadros velhos
Os favos retirados durante a renovação contêm cera, mas também casulos, própolis, pólen e outras impurezas. O rendimento e a qualidade são normalmente inferiores aos da cera de opérculos.
Por esse motivo, é aconselhável separar a cera de opérculos da cera proveniente de favos de criação antigos.
Derreter e limpar a cera
A cera deve ser derretida em equipamentos adequados, utilizando temperatura controlada e evitando o contacto direto com uma chama. Depois de derretida, pode ser filtrada e colocada em recipientes para arrefecer e formar blocos.
Durante o arrefecimento, parte das impurezas acumula-se na zona inferior do bloco e pode ser posteriormente removida.
Segurança: a cera é inflamável. Nunca deve ser aquecida diretamente sobre uma chama nem deixada sem vigilância. A utilização de banho-maria ou de equipamentos próprios ajuda a reduzir o risco de sobreaquecimento e incêndio.
A fusão esteriliza a cera?
Derreter a cera não garante, por si só, a destruição de todos os agentes patogénicos ou esporos que possam estar presentes.
Se existirem suspeitas de doença, mortalidade anormal ou contaminação, a cera e os quadros não devem ser reutilizados ou trocados sem uma avaliação adequada. Devem ser seguidas as indicações do médico veterinário ou da autoridade sanitária competente.
Armazenamento dos favos e da cera
Os favos retirados das colmeias devem ser armazenados limpos, secos e protegidos da traça da cera. A existência de pólen, mel ou humidade aumenta o risco de deterioração.
Os blocos de cera devem ser guardados num local fresco, seco e protegido do pó, de odores intensos e de possíveis contaminantes.
A cera absorve facilmente odores e pode conservar resíduos. Não deve ser armazenada perto de combustíveis, tintas, pesticidas ou outros produtos químicos.
Qualidade da cera utilizada nas colmeias
A cera moldada utilizada nos quadros deve apresentar boa qualidade, dimensões adequadas e uma composição apropriada para utilização apícola.
A presença de substâncias estranhas pode alterar a resistência da lâmina, dificultar a construção dos favos e comprometer a qualidade da cera existente na exploração.
Sempre que possível, o apicultor deve conhecer a origem da cera e manter separados os lotes cuja proveniência ou estado sanitário sejam desconhecidos.
O ciclo da cera na exploração apícola
A cera retirada das colmeias pode ser derretida, limpa e transformada em blocos. Posteriormente, pode ser entregue para transformação ou trocada por novas lâminas de cera moldada.
Este processo permite reaproveitar um produto natural da colmeia e manter uma renovação regular dos favos utilizados na exploração.
Para reduzir riscos de contaminação cruzada, deve conservar-se informação sobre a origem dos lotes e separar a cera proveniente de colónias saudáveis daquela associada a problemas sanitários.
Outras utilizações da cera de abelha
Além da utilização na produção de novas lâminas para os quadros, a cera de abelha pode ser transformada em diversos produtos:
- Cera para proteção e conservação de calçado;
- Batons e protetores labiais;
- Velas de cera de abelha;
- Cosméticos e produtos de cuidado pessoal;
- Pomadas e bálsamos;
- Produtos para tratamento e conservação de madeira;
- Ceras depilatórias;
- Peças decorativas e trabalhos artesanais.
Perguntas frequentes sobre a cera de abelha
Porque é necessário renovar a cera do ninho?
Os favos de criação acumulam casulos, própolis e outros resíduos ao longo do tempo. A sua renovação gradual mantém espaço disponível para a postura e ajuda a retirar favos deformados, danificados ou deteriorados.
Um favo escuro está obrigatoriamente contaminado?
Não. O escurecimento é uma consequência natural dos sucessivos ciclos de criação. Contudo, os favos muito velhos ou em mau estado devem ser gradualmente substituídos.
Posso colocar um quadro novo no meio da criação?
Depende da força da colónia, da temperatura e da época do ano. Numa colónia forte e durante um período favorável pode ser possível. Em colónias pequenas ou com temperaturas baixas, dividir a criação pode dificultar o seu aquecimento.
A cera de opérculos e a cera de quadros velhos têm a mesma qualidade?
Não. A cera de opérculos é normalmente mais clara, recente e possui menos impurezas. A cera de quadros antigos contém casulos, própolis, pólen e outros resíduos.
Derreter a cera elimina todas as doenças?
Não. A fusão comum não garante a destruição de todos os agentes patogénicos. A cera proveniente de colónias com suspeita de doença deve ser separada e avaliada antes de ser reutilizada.
Como posso evitar a traça da cera?
Os favos devem ser armazenados limpos, secos e em condições que impeçam o desenvolvimento da traça. A vigilância regular é importante, especialmente nos favos que contêm restos de pólen ou casulos de criação.
Cera e material para trabalhar os quadros
Na MacMel encontra cera moldada para diferentes modelos de colmeias, equipamentos para derreter e limpar cera, soldadores, incrustadores, arame e outros utensílios para preparar os quadros.
Consultar cera e equipamentos para apicultura
Para conhecer outros conteúdos técnicos, consulte também a nossa Enciclopédia Apícola.


