Colmeia Reversível: Características, Medidas e Vantagens
A colmeia Reversível é um modelo de quadros móveis tradicionalmente utilizado em Portugal, especialmente em algumas regiões do Sul e do litoral. O seu formato compacto e a possibilidade de utilizar corpos com as mesmas dimensões proporcionam flexibilidade no maneio das colónias.
O ninho Reversível apresenta uma altura inferior à do ninho Lusitano, tornando os quadros individualmente mais leves e fáceis de movimentar. Quando a colónia necessita de mais espaço para criação ou armazenamento, o apicultor pode acrescentar outro corpo ou utilizar meias alças.

O que caracteriza a colmeia Reversível?
A principal característica deste modelo é a utilização de corpos com dimensões iguais, que podem funcionar como ninho ou como alça. Esta configuração permite adaptar a organização da colmeia ao desenvolvimento da população e ao método de trabalho utilizado pelo apicultor.
Os quadros móveis podem ser retirados para observar a criação, avaliar as reservas, localizar a rainha, realizar desdobramentos e acompanhar o estado sanitário da colónia.
A colmeia pode ser utilizada com um único ninho, com dois corpos de igual dimensão ou com meias alças destinadas principalmente à produção de mel.
Dimensões aproximadas da colmeia Reversível
As dimensões exteriores dos componentes podem apresentar pequenas variações conforme o fabricante, a espessura da madeira e o sistema de construção.
| Componente | Comprimento | Largura | Altura |
|---|---|---|---|
| Ninho ou alça Reversível | Aproximadamente 43 cm | Aproximadamente 43 cm | Aproximadamente 24 cm |
| Meia alça Reversível | Aproximadamente 43 cm | Aproximadamente 43 cm | Aproximadamente 16 cm |
Nota: antes de combinar componentes de fabricantes diferentes, confirme sempre as medidas e a compatibilidade entre ninhos, alças, meias alças, quadros, estrados, pranchetas e telhados.
Principais componentes da colmeia Reversível
Uma colmeia Reversível completa é normalmente constituída pelos seguintes componentes:
- Estrado: constitui a base da colmeia e integra a entrada utilizada pelas abelhas;
- Ninho: é a principal câmara de criação e normalmente recebe dez quadros Reversíveis;
- Alça: apresenta as mesmas dimensões do ninho e pode aumentar o espaço para criação ou armazenamento;
- Meia alça: é um corpo de menor altura, utilizado principalmente para armazenar o mel destinado à colheita;
- Quadros: estruturas móveis onde as abelhas constroem os favos, criam novas abelhas e armazenam mel e pólen;
- Prancheta de agasalho: fecha a parte superior da colmeia e separa os corpos do telhado;
- Telhado: protege a colmeia da chuva e da exposição direta às condições atmosféricas.
Também podem ser utilizados alimentadores, grelhas de entrada, grades excluidoras de rainhas, estrados sanitários, escapa-abelhas e outros acessórios, conforme o método de trabalho do apicultor.
O ninho Reversível
O ninho é a principal zona de desenvolvimento da colónia. É normalmente nesta área que a rainha realiza a postura e onde se encontra a maior parte da criação.
As abelhas também armazenam mel e pólen nos quadros do ninho, formando reservas importantes para alimentar a criação e ultrapassar os períodos de menor entrada de alimento.
O ninho Reversível é geralmente utilizado com dez quadros. A manutenção do número correto de quadros e das respetivas distâncias ajuda a preservar o espaço-abelha e a evitar a construção irregular de favos.
Utilização com dois corpos
Quando um único ninho deixa de proporcionar espaço suficiente para a criação e as reservas, a colmeia Reversível pode ser trabalhada com um segundo corpo de igual dimensão.
Este sistema aumenta a área disponível e pode ser utilizado no desenvolvimento de colónias fortes, na preparação de desdobramentos ou em determinados métodos de produção.
A colocação do segundo corpo deve acompanhar a força da colónia. Adicionar demasiado espaço a uma colónia pequena pode dificultar o controlo da temperatura e a defesa contra pilhagem e pragas.
Alças e meias alças Reversíveis
Uma das particularidades do modelo Reversível é a possibilidade de utilizar como alça um corpo com as mesmas dimensões do ninho. Isto permite transferir quadros compatíveis entre os dois corpos, de acordo com o objetivo do maneio.
Também podem ser utilizadas meias alças, que apresentam uma altura inferior e são normalmente mais leves quando estão cheias de mel.
A escolha entre uma alça completa e uma meia alça depende do fluxo de néctar, da força da colónia, do método de trabalho e da capacidade do apicultor para movimentar os elementos.
O peso final varia conforme a quantidade e o tipo de mel, o número de quadros, a madeira e as características do equipamento.
Principais características da colmeia Reversível
- Modelo de quadros móveis tradicionalmente utilizado em Portugal;
- Formato exterior aproximadamente quadrado;
- Ninho normalmente equipado com dez quadros;
- Corpos de ninho e alça com as mesmas dimensões;
- Possibilidade de trabalhar com um ou dois corpos;
- Disponibilidade de meias alças para produção de mel;
- Quadros de ninho individualmente mais manejáveis do que os Lusitanos;
- Boa disponibilidade de componentes em Portugal;
- Modelo utilizado tanto em apiários fixos como em explorações com transumância.
Vantagens da colmeia Reversível
Flexibilidade no maneio
A utilização de corpos e quadros com as mesmas dimensões permite reorganizar a colmeia de acordo com a evolução da população, a criação existente e os objetivos do apicultor.
Quadros mais manejáveis
A menor altura dos quadros, comparativamente ao modelo Lusitano, pode facilitar as inspeções e a movimentação individual dos favos.
Facilidade na formação de novas colónias
A utilização de dois corpos pode disponibilizar um elevado número de quadros para realizar desdobramentos, desde que a colónia tenha população, criação e reservas suficientes.
Utilização de meias alças
As meias alças permitem recolher mel em elementos de menor altura e normalmente mais fáceis de transportar.
Disponibilidade de material
Por ser um modelo tradicional português, existe uma variedade considerável de colmeias, núcleos, ninhos, alças, meias alças, quadros, estrados, pranchetas e telhados Reversíveis.
Aspetos que devem ser considerados
A escolha e utilização de uma colmeia Reversível deve considerar alguns aspetos:
- Um único ninho apresenta menos espaço para criação e reservas do que modelos com quadros mais altos;
- As colónias fortes podem necessitar de um segundo corpo para continuar o seu desenvolvimento;
- A colocação de espaço adicional deve acompanhar a população existente;
- Os quadros Reversíveis não são compatíveis com os ninhos Langstroth ou Lusitano;
- A quantidade de reservas deve ser verificada antes de retirar o mel;
- A ventilação e o isolamento devem ser adaptados ao clima e à localização do apiário;
- A compatibilidade entre componentes de diferentes fabricantes deve ser sempre confirmada.
A colmeia Reversível é adequada apenas para zonas quentes?
Este modelo é tradicionalmente utilizado em algumas regiões do Sul e do litoral português, onde os invernos podem ser mais amenos e existem florações importantes em diferentes momentos do ano.
No entanto, a colmeia Reversível não deve ser considerada exclusiva de zonas quentes. Pode ser utilizada noutras regiões, desde que o maneio, o isolamento, a ventilação, o espaço e as reservas sejam adaptados às condições locais.
O desenvolvimento da colónia depende também da genética das abelhas, da exposição do apiário, da disponibilidade de alimento e da atuação do apicultor.
As abelhas hibernam?
As abelhas não hibernam verdadeiramente. Durante os períodos frios reduzem a atividade exterior e formam um agrupamento no interior da colmeia para conservar o calor.
Mesmo em regiões com invernos amenos podem existir períodos sem entrada suficiente de néctar ou pólen. Por esse motivo, todas as colónias devem manter reservas adequadas.
Reservas de alimento na colmeia Reversível
A utilização deste modelo não significa que seja possível retirar todo o mel da colmeia. Antes de qualquer colheita, o apicultor deve confirmar se permanecem reservas suficientes para alimentar a população e a criação.
A quantidade necessária varia conforme a época do ano, o clima, a força da colónia, a existência de criação e a previsão de novas florações.
Importante: nunca deve ser retirado mel sem verificar previamente as reservas existentes. A ausência de alimento pode provocar o enfraquecimento ou a morte da colónia, mesmo em regiões de clima ameno.
Colmeias Reversíveis de madeira
A madeira é o material tradicionalmente utilizado no fabrico das colmeias Reversíveis. Quando é corretamente seca, construída e protegida, proporciona resistência e durabilidade.
A proteção exterior ajuda a reduzir a degradação provocada pela chuva, humidade e exposição solar. No interior devem evitar-se produtos que possam contaminar a cera, o mel ou o ambiente da colónia.
Colmeias-núcleo Reversíveis
Os núcleos Reversíveis são colmeias de menor capacidade utilizadas para formar novas colónias, realizar desdobramentos, alojar enxames pequenos ou recuperar colónias com pouca população.
A utilização de quadros compatíveis permite transferir facilmente criação, alimento e abelhas entre os núcleos e as colmeias Reversíveis completas.
Um núcleo deve ser transferido para uma colmeia completa quando a população ocupar adequadamente os quadros disponíveis e necessitar de mais espaço.
Compatibilidade com a colmeia Lusitana
As colmeias Reversível e Lusitana podem apresentar algumas dimensões exteriores semelhantes. Por esse motivo, determinados estrados, pranchetas, telhados ou outros acessórios podem ser utilizados nos dois modelos.
No entanto, os ninhos e respetivos quadros apresentam alturas diferentes. Um quadro de ninho Reversível não deve ser utilizado num ninho Lusitano, nem um quadro Lusitano num ninho Reversível.
Confirme sempre as medidas: mesmo quando dois componentes parecem semelhantes, podem existir diferenças entre fabricantes, modelos e sistemas de construção.
Para quem é indicada a colmeia Reversível?
A colmeia Reversível pode ser utilizada por apicultores iniciantes, amadores e profissionais. É especialmente interessante para quem procura um modelo português, com quadros manejáveis e flexibilidade para trabalhar com um ou dois corpos.
Antes de escolher, deve verificar-se qual o modelo predominante na região, a disponibilidade de componentes e a compatibilidade com os equipamentos de extração existentes.
Perguntas frequentes sobre a colmeia Reversível
Quantos quadros tem um ninho Reversível?
O ninho Reversível utilizado em Portugal recebe normalmente dez quadros. Deve manter-se o número previsto para conservar as distâncias adequadas e evitar a construção irregular de favos.
Porque se chama colmeia Reversível?
A designação está associada à possibilidade de utilizar corpos e quadros com as mesmas dimensões como ninho ou alça, proporcionando maior flexibilidade na organização e no maneio da colmeia.
A colmeia Reversível pode ter dois ninhos?
Sim. Uma colónia forte pode ser trabalhada com dois corpos de igual dimensão. A colocação do segundo corpo deve acompanhar a população, a quantidade de criação e a disponibilidade de alimento.
Os quadros do ninho e da meia alça têm a mesma medida?
Não. Os quadros da meia alça são mais baixos. Os quadros dos corpos utilizados como ninho e alça completa apresentam as mesmas dimensões.
A colmeia Reversível é adequada para zonas frias?
Pode ser utilizada em zonas frias, mas o espaço deve ser ajustado à força da colónia e devem ser garantidos isolamento, ventilação e reservas suficientes. O clima não é o único fator que determina o desempenho da colmeia.
Posso retirar todo o mel antes do inverno?
Não. A colónia necessita de reservas para sobreviver aos períodos sem entrada de alimento. Antes da colheita deve avaliar-se sempre a quantidade de mel existente no ninho.
Posso começar com um núcleo Reversível?
Sim. Um núcleo com população adequada pode desenvolver-se e ser posteriormente transferido para uma colmeia Reversível completa. O espaço deve ser aumentado conforme a evolução da colónia.
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Consultar colmeias Reversíveis e respetivos componentes
Para comparar este modelo com outras opções, consulte também o nosso guia sobre os principais tipos de colmeias.
