Tipos de Colmeias: Modelos, Componentes e Diferenças
Existem diferentes tipos de colmeias, desde os modelos tradicionais de favos fixos até às atuais colmeias de quadros móveis. Cada modelo apresenta dimensões, componentes e características próprias que influenciam o maneio, o peso dos elementos, a extração do mel e a compatibilidade dos equipamentos.
Conhecer as diferenças entre os principais modelos de colmeias ajuda o apicultor a escolher uma solução adequada à sua região, capacidade de trabalho e objetivos de produção.
Colmeias tradicionais
Antes da generalização das colmeias de quadros móveis, os enxames eram frequentemente alojados em estruturas construídas com os materiais disponíveis em cada região.
Em Portugal, o exemplo mais conhecido é o cortiço, tradicionalmente construído com cortiça. Também existiram colmeias feitas de madeira, barro, palha e outros materiais naturais.

Estas estruturas permitiram reunir vários enxames num local acessível e acompanhar mais facilmente a sua atividade. No entanto, como os favos eram construídos e fixados diretamente no interior, a inspeção da criação e a colheita do mel eram mais difíceis e podiam exigir a destruição de parte dos favos.
Colmeias de quadros móveis
A colmeia de quadros móveis representou uma das principais evoluções da apicultura. Os favos passaram a ser construídos dentro de quadros que podem ser retirados, observados e novamente colocados na colmeia.
O reverendo norte-americano Lorenzo Lorraine Langstroth desenvolveu um modelo de colmeia que aplicava de forma prática o chamado espaço-abelha, tendo obtido a respetiva patente em 1852.

O que é o espaço-abelha?
O espaço-abelha é a distância que permite às abelhas circular entre os diferentes componentes da colmeia. Quando o espaço é demasiado reduzido, as abelhas tendem a preenchê-lo com própolis. Quando é excessivo, podem construir favos de cera nesse local.
A correta aplicação deste princípio permite retirar e movimentar os quadros com maior facilidade, reduzindo a construção irregular de cera e a fixação excessiva dos componentes.
Vantagens das colmeias de quadros móveis
- Permitem observar a criação, as reservas e o estado geral da colónia;
- Facilitam a localização e avaliação da rainha;
- Permitem retirar e trocar quadros entre colmeias compatíveis;
- Facilitam a realização de desdobramentos e outras operações de maneio;
- Permitem extrair o mel preservando os favos para posterior reutilização;
- Facilitam a monitorização sanitária das colónias;
- Adaptam-se melhor à transumância e à apicultura profissional.
Principais modelos de colmeias utilizados em Portugal
Os principais modelos utilizados em Portugal são a Langstroth, a Lusitana, a Reversível e a Industrial, também conhecida como Dadant. Clique no nome de cada modelo para consultar as respetivas características e dimensões.
Comparação geral dos modelos
| Modelo | Características gerais | Utilização |
|---|---|---|
| Langstroth | Modelo muito difundido, com ampla disponibilidade de colmeias, quadros e acessórios. | Adequado a diferentes dimensões de exploração e ao maneio profissional. |
| Lusitana | Apresenta um ninho alto, com boa capacidade para criação e armazenamento de reservas. | Tradicionalmente utilizada em várias regiões de Portugal. |
| Reversível | Os corpos apresentam o mesmo formato, permitindo alguma flexibilidade na sua utilização. | Modelo tradicional português, utilizado principalmente em determinadas regiões do país. |
| Industrial ou Dadant | Combina um ninho profundo com alças ou meias alças de menor altura. | Utilizada em explorações que valorizam uma grande capacidade no ninho e elementos de produção mais manejáveis. |
Atenção: as medidas dos quadros, ninhos, alças e restantes componentes variam conforme o modelo. As peças de diferentes tipos de colmeia nem sempre são compatíveis entre si.
Como escolher um modelo de colmeia?
Não existe um único modelo que seja o melhor para todos os apicultores. Antes de escolher, devem ser considerados vários aspetos:
- O modelo mais utilizado na região;
- A disponibilidade de colmeias, quadros e peças de substituição;
- O peso dos ninhos e alças quando estão cheios;
- A experiência e capacidade física do apicultor;
- A necessidade de transportar as colmeias ou fazer transumância;
- A compatibilidade com extratores e outros equipamentos existentes;
- O modelo já utilizado nas restantes colmeias da exploração;
- A disponibilidade de enxames e quadros compatíveis;
- Os objetivos de produção e a dimensão prevista para o apiário.
Para quem está a começar, utilizar um único modelo facilita o maneio, a substituição de componentes e a organização do material. Ter vários modelos na mesma exploração pode obrigar a manter diferentes tipos de quadros, alças, estrados, pranchetas e outros acessórios.
Materiais utilizados no fabrico das colmeias
Além das diferenças de formato e dimensões, as colmeias também podem ser fabricadas em diferentes materiais.
Colmeias de madeira
A madeira continua a ser o material mais utilizado. É resistente, permite reparações e proporciona um ambiente adequado às colónias quando está devidamente protegida e conservada.
A manutenção pode incluir a aplicação exterior de produtos de proteção adequados, evitando sempre contaminar o interior da colmeia.
Colmeias de plástico
As colmeias de plástico são resistentes à humidade, fáceis de lavar e não necessitam da mesma manutenção exterior exigida pela madeira. A ventilação e o isolamento dependem da construção de cada modelo.
Colmeias de poliestireno expandido
As colmeias de poliestireno são leves e apresentam uma boa capacidade de isolamento térmico. Exigem, no entanto, cuidados específicos durante a limpeza, transporte e utilização de ferramentas, devido às características do material.
A escolha do material deve considerar o clima, o tipo de maneio, a frequência de transporte, a facilidade de limpeza e a durabilidade pretendida.
Principais componentes de uma colmeia
Embora existam diferenças entre modelos, uma colmeia moderna é normalmente constituída por estrado, ninho, alças ou meias alças, quadros, prancheta de agasalho e telhado.
Estrado
O estrado constitui a parte inferior da colmeia, suporta o ninho e integra a entrada utilizada pelas abelhas. Deve ajudar a proteger o interior da humidade proveniente do solo e permitir uma ventilação adequada.
Existem estrados fechados, ventilados e sanitários. Os modelos sanitários podem facilitar a queda de resíduos e contribuir para a monitorização da varroa. Alguns estrados podem também ser adaptados para a recolha de pólen.
Ninho
O ninho é a principal câmara de criação da colmeia. É normalmente nesta zona que a rainha realiza a postura e onde as abelhas mantêm grande parte da criação, do pólen e das reservas necessárias à colónia.
Deve ser utilizado com o número de quadros previsto para o respetivo modelo, mantendo as distâncias corretas entre os favos e as paredes da colmeia.
Alça
A alça é colocada sobre o ninho para aumentar o espaço disponível na colmeia. É utilizada sobretudo para o armazenamento do mel destinado à colheita, embora a sua utilização possa variar conforme o modelo e o método de maneio.
Uma alça cheia pode atingir um peso elevado. O valor varia consoante o modelo, o número de quadros, o tipo de mel, a quantidade armazenada e os materiais utilizados no seu fabrico.
Meia alça
A meia alça, também utilizada como melário, tem uma altura inferior à de uma alça completa. Quando está cheia, é normalmente mais leve e fácil de movimentar.
É uma solução muito utilizada para a produção de mel, especialmente quando o apicultor pretende reduzir o peso transportado durante a colheita.
O número de quadros utilizados pode variar conforme o modelo, os espaçadores instalados e o método de trabalho. Os favos devem estar corretamente construídos antes de se aumentar o espaço entre os quadros.
Quadros
Os quadros são estruturas móveis onde as abelhas constroem os favos. Neles é criada a nova geração de abelhas e são armazenados mel e pólen.
Normalmente é colocada uma lâmina de cera moldada no quadro para orientar a construção do favo. Existem quadros de diferentes medidas para ninhos, alças e meias alças, de acordo com cada modelo de colmeia.
Prancheta de agasalho
A prancheta de agasalho fecha a parte superior da colmeia, separando os corpos do telhado. Consoante o modelo, pode contribuir para o isolamento e possuir uma abertura que permite colocar um alimentador ou facilitar determinadas operações de maneio.
A ventilação da colmeia deve ser ajustada às condições ambientais e não depende exclusivamente da abertura existente na prancheta.
Telhado
O telhado é a cobertura exterior da colmeia. A sua principal função é impedir a entrada da água da chuva e proteger os componentes superiores da exposição direta às condições atmosféricas.
Um telhado corretamente instalado ajuda a proteger a madeira e a aumentar a durabilidade da colmeia. O conforto térmico depende também do isolamento, da ventilação e das características dos restantes componentes.
Outros componentes e acessórios
Dependendo do modelo de colmeia e do maneio utilizado, também podem ser necessários:
- Redutores ou grelhas de entrada;
- Alimentadores;
- Grades excluidoras de rainhas;
- Estrados sanitários;
- Separadores e espaçadores para quadros;
- Escapa-abelhas;
- Suportes para elevar as colmeias do solo;
- Sistemas de fixação para transporte e transumância.
Colmeias-núcleo
As colmeias-núcleo apresentam uma capacidade inferior à de uma colmeia completa. São utilizadas para formar novas colónias, realizar desdobramentos, alojar enxames pequenos, fecundar rainhas ou recuperar colónias com pouca população.
Antes de escolher um núcleo, deve confirmar-se se os respetivos quadros são compatíveis com o modelo principal utilizado na exploração. Esta compatibilidade facilita a transferência de criação, reservas e abelhas entre o núcleo e a colmeia.
É possível utilizar diferentes modelos no mesmo apiário?
É possível trabalhar com diferentes modelos de colmeias no mesmo apiário, mas essa opção torna a gestão do material mais complexa. O apicultor terá de manter quadros, alças, estrados, pranchetas e outros componentes de diferentes dimensões.
Sempre que possível, a uniformização do modelo facilita o maneio, a substituição de peças, a preparação dos quadros e a organização do equipamento de extração.
Perguntas frequentes sobre tipos de colmeias
Qual é o melhor modelo de colmeia para começar?
Não existe uma resposta única. Deve considerar-se o modelo predominante na região, a disponibilidade de material, o peso dos componentes e a facilidade de obter ajuda de outros apicultores que utilizem o mesmo sistema.
Os quadros servem em todas as colmeias?
Não. As dimensões dos quadros variam entre os modelos e também entre o ninho, a alça e a meia alça. Antes de comprar, é importante confirmar sempre o modelo e as medidas necessárias.
É melhor utilizar alças ou meias alças?
Depende do modelo de colmeia, do método de produção e da capacidade do apicultor para movimentar os elementos. As meias alças são normalmente mais leves, enquanto as alças completas oferecem maior capacidade por elemento.
Quantos quadros deve ter uma colmeia?
O ninho deve possuir o número de quadros previsto para o respetivo modelo. Nas alças destinadas à produção de mel, o número pode variar conforme os espaçadores utilizados e o método de trabalho, desde que se mantenham as distâncias adequadas entre os favos.
Devo escolher madeira, plástico ou poliestireno?
Cada material apresenta vantagens e limitações. A escolha deve considerar o isolamento, peso, resistência, ventilação, manutenção, facilidade de limpeza e condições climáticas da região.
Escolher e preparar a primeira colmeia
Antes de adquirir uma colmeia, confirme o modelo utilizado na sua região e verifique se terá acesso fácil a quadros, cera moldada, alças e peças de substituição compatíveis.
Se pretende iniciar-se na atividade, consulte também o nosso guia para quem quer ser apicultor e conheça os principais passos para preparar o primeiro apiário.
Para conhecer os modelos e componentes disponíveis, visite a categoria de colmeias e acessórios para apicultura.







