Abelha-rainha

Numa colónia em condições normais, a abelha-rainha é a única responsável pela postura. É a mãe da maioria das abelhas presentes na colmeia e desempenha um papel fundamental na organização e coesão da colónia através das feromonas que produz.
A qualidade da rainha influencia diretamente o desenvolvimento do enxame, a quantidade e uniformidade da criação, o comportamento das abelhas e a capacidade de a colónia aproveitar as florações. Por esse motivo, observar a postura e identificar atempadamente problemas com a rainha são tarefas essenciais para o apicultor.
| Característica | Informação |
| Quantidade por colónia | Normalmente uma |
| Origem | Ovo fecundado |
| Tempo de desenvolvimento | 16 dias |
| Principal função | Realizar a postura |
| Fecundação | Durante voos de fecundação |
| Longevidade | Pode viver vários anos |
| Período mais produtivo | Geralmente nos primeiros anos de vida |
Qual é a função da abelha-rainha?
A principal função da rainha é realizar a postura. A partir dos espermatozoides armazenados na espermateca durante os voos de fecundação, pode colocar ovos fecundados, que dão origem a fêmeas, ou ovos não fecundados, que dão origem a zangões.
A rainha também produz feromonas que circulam entre as obreiras e ajudam a manter a organização, identidade e estabilidade da colónia. Quando estas feromonas diminuem devido à idade, doença ou ausência da rainha, as obreiras podem iniciar a criação de uma substituta.
A presença de uma rainha não é, por si só, garantia de qualidade. O apicultor deve avaliar sobretudo a quantidade, continuidade e uniformidade da criação.
Como nasce uma abelha-rainha?
A rainha e as obreiras têm origem em ovos fecundados. A diferença no seu desenvolvimento está principalmente relacionada com a alimentação recebida durante a fase larvar e com a criação numa célula real própria.
A larva destinada a ser rainha recebe uma alimentação abundante e contínua à base de geleia real. Esta alimentação desencadeia um desenvolvimento diferente, permitindo a formação de um aparelho reprodutor funcional e de um corpo adaptado à postura.
As células reais são maiores do que as células de obreira e apresentam normalmente uma posição vertical, semelhante a um pequeno amendoim. Podem ser construídas pelas abelhas durante a enxameação, para substituírem uma rainha ou como resposta de emergência à sua perda.
Desenvolvimento da rainha
O desenvolvimento completo da rainha, desde a postura do ovo até ao nascimento, demora aproximadamente 16 dias.
| Fase | Momento aproximado |
| Ovo | Dias 1 a 3 |
| Larva | A partir do 3.º dia |
| Operculação da célula real | Por volta do 8.º dia |
| Nascimento da rainha | Por volta do 16.º dia |
Estes valores são aproximados e podem sofrer pequenas variações devido à temperatura, alimentação e condições da colónia.
Conhecer estes tempos é especialmente importante na criação de rainhas, nos desdobramentos e na avaliação de uma colónia que perdeu a sua rainha.
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Porque é que uma colónia cria novas rainhas?
Uma colónia pode criar novas rainhas em três situações principais.
Enxameação
A enxameação é a forma natural de reprodução e multiplicação das colónias. Antes da saída do enxame, as obreiras constroem várias células reais. A rainha existente abandona normalmente a colmeia acompanhada por uma parte das abelhas, deixando para trás criação, reservas e células reais.
Depois do nascimento das rainhas virgens, uma delas ficará normalmente responsável pela continuidade da colónia. Em algumas situações, podem ocorrer enxames secundários acompanhados por rainhas virgens.
Substituição da rainha
Quando a rainha envelhece, adoece ou apresenta uma postura insuficiente, as obreiras podem criar uma nova rainha para a substituir. Este processo pode acontecer sem que a colónia fique totalmente sem rainha durante a transição.
Emergência
Quando a rainha desaparece inesperadamente, as obreiras podem transformar células com ovos ou larvas femininas muito jovens em células reais de emergência. A idade das larvas escolhidas e as condições da colónia influenciam a qualidade das rainhas produzidas.
O que acontece depois do nascimento?
Depois de nascer, a rainha virgem necessita de alguns dias para completar o seu desenvolvimento. Durante esse período, movimenta-se pela colmeia e realiza voos de orientação que lhe permitem reconhecer a localização da colónia.
Se existirem outras rainhas virgens ou células reais, pode ocorrer competição entre elas. Frequentemente, a primeira rainha a nascer procura e elimina as rivais ainda presentes nas células, embora o comportamento possa variar durante processos de enxameação.
As condições meteorológicas são muito importantes nesta fase. Chuva, vento forte ou temperaturas inadequadas podem atrasar ou impedir os voos de fecundação.
Como acontece a fecundação da rainha?
A fecundação ocorre no exterior da colmeia, durante um ou vários voos. A rainha dirige-se a zonas de congregação de zangões, onde se encontram machos provenientes de diferentes colónias e apiários.
Durante esses voos, a rainha pode acasalar com vários zangões, frequentemente entre 10 e 20. Esta diversidade de origem contribui para aumentar a variabilidade genética da população da colónia.
Os zangões que conseguem acasalar morrem pouco depois. A rainha armazena os espermatozoides na espermateca e utiliza-os gradualmente para fecundar os ovos ao longo da sua vida.
Uma rainha que não consiga fecundar-se adequadamente poderá tornar-se uma rainha zanganeira, colocando apenas ovos não fecundados, dos quais nascerão zangões.
Quando começa a rainha a realizar a postura?
Depois de completar os voos de fecundação, a rainha necessita geralmente de alguns dias para iniciar a postura. O tempo pode variar de acordo com as condições meteorológicas, população e disponibilidade de alimento.
No início, a postura pode apresentar alguma irregularidade, mas deverá tornar-se progressivamente compacta e uniforme. As obreiras preparam e limpam as células antes de a rainha colocar os ovos.
Uma boa postura apresenta normalmente uma área de criação contínua, com poucas falhas. Contudo, a presença de falhas nem sempre significa que a rainha tenha um problema: doenças, consanguinidade, falta de alimento, frio ou remoção de criação pelas obreiras também podem afetar o padrão observado.
Quantos ovos pode colocar uma rainha?
Durante os períodos de maior desenvolvimento, uma rainha de qualidade pode ultrapassar os 2 000 ovos por dia, dependendo da sua genética, idade, população da colónia, espaço disponível, entrada de néctar e pólen e condições ambientais.
A postura aumenta geralmente durante a primavera e acompanha o crescimento da colónia. Diminui quando terminam as principais florações, falta alimento, se reduz a população ou se aproximam os períodos mais frios.
A alimentação estimulante pode aumentar a criação, mas só deve ser utilizada quando a colónia tiver população e reservas suficientes para acompanhar esse crescimento.
Quanto tempo vive uma abelha-rainha?
Uma rainha pode viver vários anos, mas a sua capacidade de postura e a quantidade de feromonas produzidas tendem a diminuir com a idade. Geralmente, os primeiros anos são os mais produtivos.
Em apicultura profissional, o apicultor pode substituir preventivamente as rainhas antes de estas apresentarem uma quebra acentuada de qualidade. Contudo, a decisão deve basear-se na avaliação da postura, comportamento, produtividade, resistência a doenças e adaptação da colónia.
A idade não deve ser o único critério. Uma rainha mais velha com boa postura e características desejáveis pode ser mais valiosa do que uma rainha jovem de qualidade desconhecida.
Como identificar possíveis problemas com a rainha?
O apicultor deve investigar a situação quando observa:
* Ausência prolongada de ovos e criação jovem;
* Postura muito dispersa ou irregular;
* Excesso de criação de zangão em células de obreira;
* Vários ovos em muitas células;
* Presença de células reais de emergência ou substituição;
* Redução anormal da população;
* Comportamento inquieto das abelhas;
* Dificuldade persistente em localizar a rainha acompanhada de sinais de orfandade.
Nenhum destes sinais deve ser analisado isoladamente. Antes de substituir a rainha, é necessário avaliar a presença de ovos, larvas, reservas, doenças, população adulta e condições ambientais.
Importância da seleção de rainhas
A seleção de rainhas permite melhorar progressivamente características como produtividade, comportamento higiénico, mansidão, controlo da enxameação, adaptação ao clima, utilização das reservas e capacidade de defesa.
A introdução de uma rainha deve ter em conta a origem genética, as condições da colónia recetora e os objetivos do apicultor. Uma rainha de qualidade pode melhorar uma colónia, mas necessita de uma população saudável e bem estruturada para expressar o seu potencial.
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