Problemas nas Abelhas: Monitorização e Controlo da Varroa
Quando uma colónia perde população, apresenta abelhas debilitadas ou deixa de se desenvolver normalmente, a primeira verificação a realizar é o nível de infestação por varroa.
A varroa é um dos principais problemas da apicultura. A sua presença nem sempre é facilmente visível e, quando o apicultor começa a observar ácaros sobre as abelhas, a infestação pode já ser elevada. Por esse motivo, o controlo deve começar pela monitorização regular.
Porque é importante testar a varroa?
Observar apenas as abelhas ou o fundo da colmeia não permite conhecer com segurança o nível de infestação. Uma grande parte das varroas pode encontrar-se na criação operculada, onde se reproduz, enquanto outra parte permanece sobre as abelhas adultas.
Para obter uma avaliação mais completa, é aconselhável testar:
- a presença de varroa nas abelhas adultas;
- a presença de varroa na criação operculada.
Os testes devem ser realizados regularmente, mesmo quando a colónia aparenta estar saudável. O objetivo é detetar o aumento da infestação antes de surgirem perdas importantes de população.
Teste de varroa nas abelhas adultas
O teste nas abelhas adultas permite estimar a percentagem de infestação presente na amostra recolhida. Para facilitar o cálculo, pode utilizar-se uma amostra de aproximadamente 100 abelhas adultas, confirmando sempre que a rainha não se encontra entre elas.
O método com água e sabão é o mais aconselhado para obter uma separação eficaz das varroas. Depois de agitar corretamente a amostra, o líquido deve passar por um coador fino, permitindo contar as varroas libertadas.
O número de varroas encontrado numa amostra de 100 abelhas corresponde diretamente à percentagem aproximada de infestação. Por exemplo, três varroas numa amostra de 100 abelhas representam aproximadamente 3%.
O Teste de Varroa 3 em 1 permite realizar o teste com água e sabão, utilizar o método com açúcar em pó e avaliar o comportamento de limpeza da criação com a sua zona perfurada.
Teste de varroa na criação
A observação da criação operculada permite verificar a presença de varroa na zona onde o parasita se reproduz. A amostra deve ser retirada de uma área representativa da criação, abrindo e examinando cuidadosamente as células selecionadas.
A Peça para Teste à Varroa na Criação delimita 49 células de cada lado, permitindo examinar uma amostra total de 98 células de criação.
A utilização regular dos dois métodos proporciona uma visão mais completa da infestação existente na colónia.
Quando devem ser realizados os testes?
A varroa deve ser monitorizada em diferentes momentos do ano, com especial atenção ao final do verão e ao outono, quando estão a ser formadas as abelhas que irão atravessar o inverno.
Também é essencial testar:
- antes de decidir qualquer tratamento;
- quando uma colónia perde população sem uma causa evidente;
- antes da preparação das colmeias para o inverno;
- cerca de 11 dias depois de um tratamento, para avaliar o resultado;
- sempre que existam dúvidas sobre a evolução da infestação.
Registar e comparar os resultados
Os resultados devem ser registados por apiário e por colmeia, indicando a data, o método utilizado, o número de abelhas ou células examinadas e a quantidade de varroas encontrada.
A comparação dos testes permite perceber se a infestação está a aumentar ou a diminuir. Idealmente, o nível deve manter-se abaixo dos 3%, sendo sempre preferíveis valores inferiores, especialmente antes da formação das abelhas de inverno.
Os valores devem ser avaliados de acordo com a época do ano, o método utilizado e as orientações sanitárias aplicáveis na região.
Confirmar sempre o resultado
Realizar um tratamento sem testar posteriormente não permite confirmar se a redução da varroa foi suficiente. O teste de controlo é indispensável, porque a eficácia pode variar conforme a quantidade de criação operculada, o nível inicial de infestação, as condições da colónia e a correta aplicação do método escolhido.
Se os valores continuarem elevados, o apicultor deve procurar orientação técnica e atuar de acordo com as regras aplicáveis, utilizando apenas produtos autorizados e respeitando integralmente as respetivas instruções.
Monitorizar antes de existir um problema visível
O controlo da varroa não deve depender apenas da observação ocasional nem limitar-se a uma intervenção anual. Testar regularmente permite acompanhar a evolução da infestação, agir atempadamente e proteger as abelhas que irão assegurar a continuidade da colónia.
Consulte também os equipamentos disponíveis para o controlo e monitorização da varroa e o guia sobre a preparação das colmeias para o inverno.
Nota: Esta página aborda exclusivamente a monitorização da varroa. Alterações na criação, na população ou no comportamento das abelhas podem ter diferentes causas e não devem ser diagnosticadas apenas através da observação visual.
