Enxameação Natural das Abelhas: Causas e Controlo

A enxameação natural é o processo através do qual uma colónia de abelhas se divide para formar uma nova colónia. Uma parte das abelhas abandona a colmeia acompanhada, normalmente, pela rainha existente, enquanto na colmeia de origem ficam abelhas, criação e realeiras destinadas a produzir uma nova rainha.

Este é um comportamento natural de reprodução das colónias, mas pode representar uma redução importante da população e da capacidade produtiva da colmeia. Para o apicultor, conhecer os sinais de preparação da enxameação permite atuar antecipadamente ou aproveitar o enxame para povoar uma nova colmeia.

O que acontece durante a enxameação?

Quando uma colónia reúne condições para se multiplicar, as abelhas começam a preparar novas rainhas através da construção de realeiras. Antes da saída do enxame, a postura da rainha pode diminuir e parte das abelhas reduz a atividade dentro da colmeia.

Na enxameação primária, a rainha existente sai da colmeia acompanhada por uma parte considerável das abelhas. Depois de abandonar a colmeia, o enxame costuma agrupar-se temporariamente num ramo, arbusto, parede ou outra estrutura próxima.

Enquanto o enxame permanece agrupado, as abelhas exploradoras procuram uma cavidade adequada para instalar a nova colónia. Este agrupamento temporário pode permanecer no local durante algumas horas ou vários dias, dependendo da rapidez com que as abelhas encontrem um novo abrigo.

Na colmeia de origem ficam realeiras e uma parte da população. Depois do nascimento, uma nova rainha deverá fecundar-se e iniciar a postura. Algumas colónias podem emitir enxames secundários acompanhados por rainhas virgens, reduzindo ainda mais a população que permanece na colmeia.

Em que época ocorre a enxameação natural?

A enxameação acontece principalmente durante a primavera, quando aumentam as temperaturas, existe entrada de néctar e pólen e as colónias desenvolvem rapidamente a sua população. No entanto, a época pode variar conforme a região, a altitude, o clima, as florações disponíveis e as características de cada colónia.

Em regiões com florações precoces, a preparação da enxameação pode começar antes do esperado. Por esse motivo, o apicultor deve acompanhar o crescimento das colónias e não esperar pela presença de realeiras operculadas para iniciar as medidas de prevenção.

Principais causas da enxameação

A enxameação não resulta normalmente de uma única causa. Surge através da combinação de vários fatores relacionados com o desenvolvimento da colónia e com as condições existentes dentro da colmeia.

  • População elevada: uma colónia muito forte pode atingir rapidamente a capacidade da colmeia.
  • Falta de espaço: a ocupação do ninho por criação, mel e pólen reduz o espaço disponível para a postura da rainha.
  • Congestionamento: um grande número de abelhas concentrado no interior dificulta a circulação e a distribuição das feromonas da rainha.
  • Idade da rainha: colónias com rainhas mais velhas podem apresentar maior tendência para enxamear.
  • Genética: algumas linhas de abelhas apresentam naturalmente maior tendência para a enxameação.
  • Entrada intensa de alimento: uma floração abundante pode acelerar o crescimento e o bloqueio do ninho com reservas.
  • Ventilação ou volume insuficientes: o excesso de calor e a falta de espaço podem contribuir para o congestionamento.

Sinais de que uma colónia se prepara para enxamear

A observação regular permite identificar alterações que indicam uma possível preparação para a enxameação:

  • presença de realeiras com ovos, larvas ou geleia real;
  • realeiras desenvolvidas, frequentemente nas zonas inferiores ou laterais dos quadros;
  • ninho muito ocupado por criação e reservas;
  • falta de espaço para a postura da rainha;
  • grande concentração de abelhas dentro e à entrada da colmeia;
  • redução da postura da rainha;
  • diminuição da construção de cera ou da atividade habitual;
  • presença de uma população elevada de zângãos durante a época de reprodução.

A presença de pequenos cálices reais vazios não significa, por si só, que a colónia vá enxamear. O sinal torna-se mais relevante quando as realeiras contêm ovos, larvas e geleia real ou quando já se encontram operculadas.

Como prevenir a enxameação?

A prevenção deve começar antes de a colónia entrar numa fase avançada de preparação. Quando já existem várias realeiras desenvolvidas, simplesmente destruí-las pode não eliminar o impulso de enxameação.

Disponibilizar espaço no momento certo

As alças devem ser colocadas antes de a colónia ficar completamente congestionada. O espaço adicional deve ser disponibilizado quando as abelhas já apresentam condições para o ocupar, tendo em conta a força da colónia e a evolução da floração.

Evitar o bloqueio do ninho

A acumulação de néctar e pólen na zona de criação pode limitar a postura da rainha. A organização dos quadros e a disponibilização de espaço devem permitir que a rainha continue a encontrar células livres para postura.

Realizar desdobramentos

A retirada controlada de abelhas e criação permite reduzir a população da colmeia e formar uma nova colónia. Quando realizado no momento adequado, o desdobramento pode ajudar a controlar a tendência de enxameação.

Consulte o nosso guia sobre desdobramentos de colmeias.

Utilizar rainhas selecionadas

A substituição de rainhas mais velhas por rainhas jovens e selecionadas pode ajudar a reduzir a tendência de enxameação. Contudo, nenhuma rainha elimina completamente este comportamento natural e o acompanhamento das colmeias continua a ser necessário.

Conheça as rainhas selecionadas disponíveis na MacMel.

Acompanhar regularmente as colónias

Durante a época de enxameação, as inspeções devem ser suficientemente regulares para acompanhar o crescimento da população, o espaço disponível e a eventual construção de realeiras.

Destruir apenas as realeiras sem corrigir a falta de espaço, o congestionamento ou os restantes fatores pode adiar a saída do enxame, mas não resolve necessariamente a causa do problema.

Consequências da enxameação para o apicultor

Quando uma colónia enxameia, perde uma parte importante da sua população e a rainha que se encontrava em postura. A colmeia de origem passa ainda por um período sem postura enquanto a nova rainha nasce, se fecunda e começa a colocar ovos.

As principais consequências podem incluir:

  • redução temporária da população;
  • interrupção da postura;
  • menor capacidade de aproveitar uma floração próxima;
  • redução da produção de mel;
  • risco de falha na substituição da rainha;
  • emissão de enxames secundários e maior perda de população.

Apesar destas consequências, a enxameação também pode ser aproveitada para obter uma nova colónia, desde que o enxame seja capturado e devidamente acompanhado.

Como capturar um enxame natural?

Antes de tentar recolher um enxame, é necessário avaliar a altura, o acesso, a proximidade de pessoas, estradas, cabos elétricos e outros perigos. Se o enxame estiver num local elevado, de difícil acesso ou perigoso, a recolha deve ser efetuada por um apicultor experiente com equipamento adequado.

Para uma captura simples pode ser necessário:

  • fato ou casaco de proteção;
  • luvas e máscara de apicultor;
  • caixa, núcleo ou saco próprio para recolha;
  • quadros adequados à nova colmeia;
  • escova para abelhas;
  • meios seguros para fechar e transportar o enxame.

Quando for possível alcançar o enxame em segurança, as abelhas devem ser colocadas dentro da caixa através de um movimento controlado ou com a ajuda de uma escova. Se a rainha entrar, as restantes abelhas tendem a dirigir-se para a entrada e a juntar-se à colónia.

A caixa pode permanecer próxima do local até ao final do dia para permitir a entrada das abelhas que ficaram a voar. Antes do transporte, deve ser corretamente fechada e possuir ventilação suficiente para evitar o sobreaquecimento.

Utilização de caixas-isca e atrativos

As caixas-isca permitem disponibilizar um local adequado às abelhas exploradoras que procuram uma nova cavidade. Devem estar secas, limpas, estáveis, protegidas da exposição excessiva e posicionadas num local onde possam ser inspecionadas e retiradas em segurança.

Os atrativos para enxames podem reforçar o sinal olfativo da caixa-isca e aumentar a possibilidade de esta ser visitada pelas abelhas exploradoras. No entanto, nenhum atrativo garante a captura de um enxame.

Na MacMel encontra atrativos, chamarizes e material para captura de enxames.

Cuidados depois de capturar o enxame

Depois da captura, o enxame deve ser instalado numa colmeia limpa e adequada à sua dimensão. Durante as primeiras semanas, o apicultor deve acompanhar cuidadosamente a sua evolução.

É importante verificar:

  • se as abelhas permanecem na nova colmeia;
  • se existe uma rainha e se iniciou a postura;
  • a construção e ocupação dos quadros;
  • a entrada natural de néctar e pólen;
  • a quantidade de reservas disponível;
  • a necessidade de fornecer alimentação;
  • a presença de sinais de doença;
  • o nível de infestação por varroa.

A origem e o estado sanitário de um enxame natural são desconhecidos. Mesmo que as abelhas apresentem um aspeto saudável, deve ser realizado um controlo da varroa e evitada a transferência desnecessária de material para outras colónias.

Se não existir entrada natural suficiente, consulte o nosso guia sobre alimentação de colmeias.

Enxameação ou abandono da colmeia?

A enxameação natural corresponde à divisão de uma colónia: uma parte das abelhas sai e outra permanece na colmeia de origem para continuar a colónia com uma nova rainha.

No abandono, todas ou quase todas as abelhas deixam a colmeia devido a condições desfavoráveis, como falta prolongada de alimento, perturbações intensas, pragas ou outros problemas. Embora os dois acontecimentos impliquem a saída de abelhas, têm causas e consequências diferentes.

A enxameação como forma de povoamento

A captura de enxames naturais é uma das várias formas de obter novas colónias. Também é possível aumentar o efetivo através de desdobramentos, pacotes de abelhas ou compra de enxames formados.

Compare os diferentes métodos no nosso guia sobre povoamento de colmeias e aumento do apiário.

Perguntas frequentes sobre enxameação natural

Qual é a diferença entre um enxame e uma colónia?

O termo enxame é frequentemente utilizado para designar o grupo de abelhas que saiu de uma colmeia e se encontra à procura de um novo local. Depois de instalado e organizado numa colmeia, passa a constituir uma colónia.

Uma colmeia pode enxamear mais do que uma vez?

Sim. Depois da saída do primeiro enxame, a colmeia pode emitir enxames secundários acompanhados por rainhas virgens. Estas saídas sucessivas podem reduzir muito a população que permanece na colmeia original.

Destruir as realeiras impede a enxameação?

Nem sempre. Se não forem corrigidas as causas que levaram a colónia a preparar a enxameação, as abelhas podem construir novas realeiras ou o enxame pode sair se alguma passar despercebida.

Todos os enxames capturados têm rainha?

A maioria dos enxames naturais sai acompanhada por uma rainha, mas é importante confirmar posteriormente a presença de ovos e de postura regular. Um enxame secundário pode ser acompanhado por uma rainha virgem, demorando mais tempo até aparecer postura.

Um enxame pendurado num ramo é perigoso?

As abelhas agrupadas tendem a estar concentradas em proteger a rainha, mas continuam a poder picar se forem perturbadas. Deve manter-se uma distância de segurança e evitar bater, molhar ou tentar dispersar o enxame. A recolha deve ser feita por uma pessoa com experiência e equipamento de proteção.

É possível garantir a captura com um atrativo?

Não. O atrativo pode aumentar o interesse das abelhas exploradoras por uma caixa-isca, mas a escolha final do local depende do enxame e das condições disponíveis.