Desdobramentos de Colmeias: Métodos e Cuidados

Os desdobramentos de colmeias permitem formar novas colónias através da divisão controlada de colmeias já existentes. Esta técnica pode ser utilizada para aumentar o número de colmeias do apiário, repor perdas, produzir enxames para venda ou ajudar a controlar a enxameação natural.

Existem diferentes métodos de desdobramento, que devem ser escolhidos de acordo com a época do ano, a força das colónias, o material disponível e os objetivos do apicultor. Para obter bons resultados, é essencial utilizar colmeias saudáveis e garantir que cada novo núcleo possui abelhas, criação, reservas e uma rainha ou condições para criar uma.

O que é um desdobramento de colmeias?

Um desdobramento consiste em retirar parte das abelhas, criação e reservas de uma ou mais colmeias para formar uma nova colónia. Dependendo do método utilizado, a rainha existente pode permanecer na colmeia original, ser transferida para o novo núcleo ou ser substituída.

O núcleo que fica sem rainha pode:

  • receber uma rainha fecundada;
  • receber uma rainha virgem;
  • receber uma realeira selecionada;
  • criar uma nova rainha a partir de ovos ou larvas muito jovens.

A opção escolhida influencia o tempo necessário até ao início da postura e o acompanhamento que deverá ser realizado posteriormente.

Porque fazer desdobramentos?

Os desdobramentos podem ser realizados com diferentes objetivos:

  • aumentar o número de colmeias do apiário;
  • recuperar colónias perdidas durante o ano;
  • produzir enxames para venda;
  • reduzir a força de colmeias com tendência para enxamear;
  • multiplicar colónias com características desejáveis;
  • introduzir rainhas jovens e selecionadas;
  • criar colónias de reserva para substituir rainhas ou reforçar outras colmeias.

Quando são corretamente planeados, os desdobramentos permitem aumentar o efetivo sem depender exclusivamente da captura ou da compra de enxames.

Qual é a melhor época para fazer desdobramentos?

Os desdobramentos são realizados principalmente durante a primavera e o início do verão, quando as colmeias apresentam uma população elevada, existe criação suficiente e estão disponíveis néctar, pólen e zângãos maduros.

O momento adequado varia conforme a região, a altitude, as condições meteorológicas e as florações locais. Quando a nova colónia vai criar a sua própria rainha, é especialmente importante existirem zângãos maduros e condições meteorológicas favoráveis para a fecundação.

Também podem ser realizados desdobramentos depois da colheita, desde que exista tempo suficiente para a nova colónia aumentar a população, organizar o ninho e acumular reservas antes da chegada do frio.

Quanto mais tarde for realizado o desdobramento, maior será a necessidade de acompanhamento e menor o tempo disponível para preparar a colónia para o outono e o inverno.

Que colmeias devem ser escolhidas?

As colmeias utilizadas devem ser fortes, saudáveis e possuir criação e reservas suficientes para suportar a retirada de quadros e abelhas. Não se deve enfraquecer uma colmeia que ainda não tenha população suficiente ou que apresente problemas sanitários.

Antes de realizar um desdobramento, deve avaliar-se:

  • a força e a população da colmeia;
  • a quantidade de criação aberta e operculada;
  • a qualidade e regularidade da postura;
  • as reservas de mel e pólen;
  • a entrada natural de alimento;
  • a presença de sinais de doença;
  • a taxa de infestação por varroa;
  • as características que se pretende multiplicar.

Não devem ser utilizadas como colmeias mães as colónias que apresentem problemas recorrentes de agressividade, baixa produção, fraco comportamento higiénico, tendência excessiva para enxamear ou outras características que o apicultor não pretenda multiplicar.

O que deve possuir uma nova colónia?

A composição depende do método escolhido, mas uma nova colónia necessita geralmente de:

  • uma quantidade suficiente de abelhas adultas;
  • criação operculada próxima do nascimento;
  • ovos ou criação jovem, quando se pretende que produza a própria rainha;
  • reservas de mel e pólen;
  • quadros com cera para permitir o crescimento;
  • uma rainha ou condições para produzir uma;
  • um núcleo adequado à dimensão da população.

Ao calcular a quantidade de abelhas, deve ter-se em conta que uma parte das campeiras pode regressar à colmeia de origem. A posição das colmeias, a distância de deslocação e o método utilizado influenciam a distribuição final da população.

Métodos de desdobramento de colmeias

1. Desdobramento simples

No desdobramento simples são retirados da colmeia mãe três quadros com as respetivas abelhas: um com criação operculada, outro com criação aberta e outro com reservas de mel e pólen.

A rainha permanece na colmeia original. O novo núcleo é transportado, preferencialmente, para outro apiário situado a mais de três quilómetros e recebe posteriormente uma nova rainha.

É um método acessível e indicado para compreender os princípios básicos da formação de novas colónias.

Consultar o guia completo do desdobramento simples

2. Desdobramento com rainha à vista

Neste método, o apicultor localiza a rainha antes de dividir a colmeia. O quadro onde ela se encontra é transferido para um núcleo juntamente com outros três quadros que asseguram criação aberta, criação operculada e reservas.

O núcleo com a rainha original é deslocado para outro apiário. A colmeia que fica no local original conserva grande parte da criação e das campeiras, mas fica órfã e recebe posteriormente uma nova rainha.

Este método permite controlar exatamente onde fica a rainha original e planear a sua substituição na colmeia mãe.

Consultar o guia do desdobramento com rainha à vista

3. Divisão total de uma colmeia

A divisão total consiste em utilizar as abelhas, a criação e as reservas de uma colmeia muito forte para formar três núcleos. Um deles fica com a rainha original e os outros dois recebem novas rainhas ou criação jovem para produzirem as suas próprias rainhas.

Um dos núcleos permanece no local ocupado pela colmeia original e recebe as campeiras que regressam do campo. Os restantes são transportados, preferencialmente, para outro apiário situado a mais de três quilómetros.

Este método permite aumentar rapidamente o número de colónias, mas a colmeia original deixa de estar disponível para a produção de mel durante a mesma campanha.

Consultar o guia da divisão total de uma colmeia

4. Desdobramento com mistura de abelhas

Este método forma uma nova colónia através da mistura de abelhas provenientes de, pelo menos, três colmeias diferentes. Deve ser retirada uma quantidade aproximadamente igual de cada colmeia e é essencial garantir que nenhuma das rainhas é transferida.

A mistura de vários odores coloniais dificulta a formação imediata de grupos distintos e reduz a tendência para as abelhas se atacarem. Depois de misturadas e estabilizadas no núcleo, é introduzida uma nova rainha.

Este método permite distribuir o esforço por várias colmeias, evitando retirar demasiada população de uma única colónia.

Consultar o guia do desdobramento com mistura de abelhas

5. Desdobramento com troca de linha

Na troca de linha são retirados dois quadros da mesma colmeia original: um com ovos e criação em larva e outro com reservas de mel e pólen. Estes quadros, juntamente com as abelhas que os cobrem, são colocados num núcleo sem rainha.

A colmeia original é depois deslocada para outra posição dentro do apiário e o núcleo é colocado exatamente no lugar que ela ocupava, com a entrada orientada na mesma direção.

As campeiras que regressam do campo encontram o núcleo no ponto de voo que memorizaram e entram nele, formando rapidamente uma boa população adulta.

Consultar o guia do desdobramento com troca de linha

6. Recolha de campeiras durante a transumância

Este método permite iniciar a transumância antes de estar completamente escuro, aproveitando as campeiras que ainda se encontram a trabalhar no campo.

Antes de transportar as colmeias, coloca-se um núcleo na zona central do apiário com um quadro de ovos e criação em larva e outro com reservas de mel e pólen. Os dois quadros devem conservar as abelhas que os cobrem, mas o núcleo deve ficar sem rainha.

Depois de retiradas as restantes colmeias, as campeiras regressam ao apiário antigo e encontram apenas o núcleo. As abelhas provenientes das várias colmeias entram e formam uma nova colónia.

Consultar o guia da recolha de campeiras durante a transumância

Escolher entre criar ou introduzir uma rainha

O núcleo que fica sem rainha pode criar uma nova a partir de ovos ou larvas muito jovens. Esta opção evita a introdução de outra rainha, mas aumenta o período sem postura e exige a presença de zângãos maduros e condições meteorológicas favoráveis para a fecundação.

A introdução de uma rainha fecundada reduz o tempo necessário até ao início da postura e permite selecionar a origem da nova colónia. No entanto, é necessário confirmar que o núcleo está órfão e respeitar o método de introdução adequado.

Encontre na MacMel rainhas selecionadas para apicultura.

Material necessário para os desdobramentos

O material varia conforme o método escolhido, mas pode incluir:

  • núcleos limpos e em boas condições;
  • quadros compatíveis com o modelo utilizado;
  • quadros com cera ou cera laminada;
  • alimentadores;
  • gaiolas para introdução de rainhas;
  • fato, máscara e luvas de proteção;
  • fumigador e levanta-quadros;
  • material para fechar e transportar os núcleos em segurança.

O núcleo deve ser proporcional à população da nova colónia. Um espaço demasiado grande dificulta a conservação da temperatura e a defesa do enxame.

Consulte os diferentes modelos de colmeias, núcleos e componentes disponíveis na MacMel.

Alimentação depois do desdobramento

A nova colónia deve possuir reservas suficientes para alimentar as abelhas e a criação. Quando não existe uma entrada natural regular de néctar, pode ser necessário fornecer alimentação líquida através de um alimentador adequado.

A alimentação deve ser ajustada à força e ao consumo de cada colónia, evitando derrames que possam provocar pilhagem. A disponibilidade de pólen também é importante para o desenvolvimento da criação.

Consulte o nosso guia sobre alimentação de colmeias e os alimentadores para abelhas.

Acompanhamento após o desdobramento

As primeiras inspeções devem ser planeadas de acordo com o método utilizado, evitando perturbações desnecessárias durante a introdução, o nascimento ou a fecundação da rainha.

Nas semanas seguintes, o apicultor deve verificar:

  • a presença ou aceitação da rainha;
  • o nascimento e a fecundação, quando se utiliza uma rainha virgem ou realeira;
  • o início e a regularidade da postura;
  • a quantidade e o estado da criação;
  • a evolução da população;
  • as reservas de alimento;
  • a entrada de néctar e pólen;
  • o estado sanitário e a presença de varroa;
  • o momento adequado para transferir o núcleo para uma colmeia.

O aparecimento da postura pode demorar mais tempo quando a nova colónia tem de criar uma rainha. A abertura excessiva durante este período pode interferir com o processo e deve ser evitada.

Desdobramentos e controlo da varroa

Os quadros e as abelhas utilizados transportam também parte das varroas existentes nas colmeias de origem. Por este motivo, o desdobramento não deve ser considerado, por si só, um método suficiente de controlo da infestação.

A interrupção temporária da criação que ocorre em alguns métodos pode ser aproveitada no planeamento do controlo da varroa, mas é necessário testar as colónias e utilizar apenas procedimentos e produtos autorizados para cada situação.

Consulte as informações e o material disponível para o controlo da varroa.

Erros frequentes ao fazer desdobramentos

  • utilizar uma colmeia fraca ou com problemas sanitários;
  • retirar demasiada criação ou população da colmeia original;
  • formar um núcleo com poucas abelhas para aquecer a criação;
  • não colocar reservas suficientes na nova colónia;
  • transferir acidentalmente uma rainha;
  • introduzir uma rainha sem confirmar a orfandade;
  • não considerar o regresso das campeiras;
  • realizar o desdobramento sem condições para a fecundação;
  • não acompanhar a evolução da postura e das reservas;
  • formar novas colónias demasiado tarde para se desenvolverem.

Desdobramentos e planeamento do apiário

Antes de começar, o apicultor deve definir quantas novas colónias pretende formar e quais as colmeias que pode utilizar sem comprometer os objetivos de produção. Nem todas as colmeias fortes devem ser divididas, especialmente quando se pretende aproveitar uma floração próxima.

A escolha das colmeias mães também influencia a qualidade futura do apiário. Multiplicar apenas as colónias com melhores características ajuda a melhorar progressivamente o efetivo.

Os desdobramentos são uma das formas de povoar colmeias e aumentar o número de colónias. Também podem ser utilizados para prevenir perdas provocadas pela enxameação natural.

Perguntas frequentes sobre desdobramentos

Qualquer colmeia pode ser dividida?

Não. A colmeia deve possuir população, criação e reservas suficientes para suportar a divisão. Também deve estar saudável e apresentar características que o apicultor pretenda multiplicar.

É obrigatório encontrar a rainha?

Depende do método utilizado. Localizar a rainha permite controlar onde ela fica. Quando não é encontrada, é necessário verificar cuidadosamente os quadros transferidos e confirmar posteriormente qual das colónias ficou órfã.

Um núcleo pode criar a sua própria rainha?

Sim, desde que possua ovos ou larvas suficientemente jovens e abelhas capazes de criar e alimentar uma nova rainha. Também devem existir zângãos maduros e condições meteorológicas adequadas para a fecundação.

É necessário alimentar todos os desdobramentos?

Não necessariamente. A necessidade depende das reservas colocadas no núcleo e da entrada natural de néctar e pólen. Contudo, as reservas devem ser acompanhadas regularmente porque a nova colónia possui menor capacidade de recolha.

Os desdobramentos reduzem a produção de mel?

Podem reduzir a capacidade produtiva da colmeia mãe durante a mesma campanha, sobretudo quando são retiradas muitas abelhas ou criação pouco antes de uma floração. O número e a época dos desdobramentos devem ser definidos de acordo com os objetivos do apicultor.