Abelha obreira

Abelha obreira num favo da colmeia

As abelhas obreiras, também conhecidas como abelhas operárias, constituem a maior parte da população de uma colónia. São fêmeas que, em condições normais, não se reproduzem e realizam praticamente todos os trabalhos necessários ao funcionamento da colmeia.


Desde a limpeza das células até à recolha de néctar e pólen, as obreiras asseguram a alimentação, proteção, construção e equilíbrio térmico da colónia. As suas funções alteram-se geralmente com a idade, mas também se adaptam às necessidades do enxame.


CaracterísticaInformação
SexoFeminino
OrigemOvo fecundado
Tempo de desenvolvimentoAproximadamente 21 dias
Quantidade por colóniaMilhares 
Capacidade reprodutivaNormalmente não se reproduz
Principais funçõesCriação, limpeza, construção, defesa e recolha
LongevidadeDe algumas semanas a vários meses


O que é uma abelha obreira?


A obreira é uma fêmea cujo aparelho reprodutor não se desenvolve completamente em condições normais. Tal como a rainha, nasce de um ovo fecundado, mas recebe uma alimentação diferente durante a fase larvar, o que determina o seu desenvolvimento.


As obreiras são responsáveis pela maioria das atividades realizadas dentro e fora da colmeia. A sobrevivência da colónia depende da coordenação entre milhares de indivíduos, que respondem às necessidades da criação, da rainha, das reservas e das condições climatéricas.


Embora exista uma divisão de trabalho relacionada com a idade, esta não é totalmente rígida. Perante uma necessidade, as obreiras podem antecipar, atrasar ou voltar a desempenhar determinadas funções.


Como nasce uma abelha obreira?


O desenvolvimento da obreira começa quando a rainha coloca um ovo fecundado numa célula preparada e limpa pelas abelhas.


O ovo eclode aproximadamente ao terceiro dia, dando origem a uma pequena larva. Durante os primeiros dias, esta recebe geleia real produzida pelas abelhas nutrizes. Posteriormente, a sua alimentação passa a incluir uma mistura baseada em pólen e mel.


Quando termina a fase larvar, as obreiras fecham a célula com um opérculo de cera. No interior da célula operculada, a larva transforma-se em pupa e desenvolve progressivamente as características de uma abelha adulta.


Desenvolvimento da obreira


O desenvolvimento completo, desde a postura do ovo até ao nascimento da abelha adulta, demora aproximadamente 21 dias.


FaseMomento aproximado
OvoDias 1 a 3 
LarvaAproximadamente do 3.º ao 9.º dia
Operculação da célulaPor volta do 9.º dia
PupaDentro da célula operculada
Nascimento da obreiraPor volta do 21.º dia


Estes tempos podem apresentar pequenas variações devido à temperatura, alimentação, genética e condições da colónia.


A varroa aproveita o período em que a criação se encontra operculada para se reproduzir. Por esse motivo, a quantidade de criação existente influencia diretamente a evolução da população deste parasita.


Quais são as funções das obreiras?


As funções desempenhadas pelas obreiras modificam-se geralmente à medida que envelhecem. Esta distribuição permite que as abelhas mais jovens permaneçam inicialmente protegidas dentro da colmeia e que as mais velhas realizem os trabalhos exteriores, que envolvem maior desgaste e risco.


Idade aproximadaFunções mais frequentes  
Primeiros dias Limpeza das células e aquecimento da criação
Primeira e segunda semanas Alimentação das larvas e da rainha
Segunda e terceira semanasProdução de cera, construção, receção de néctar e ventilação
A partir da terceira semanaDefesa, orientação e recolha no exterior


Estas idades são apenas indicativas. A população e as necessidades da colónia podem alterar a distribuição dos trabalhos.


Limpeza da colmeia


Pouco depois de nascer, a jovem obreira começa normalmente por limpar a célula de onde saiu. Esta célula poderá depois ser utilizada novamente pela rainha para realizar a postura ou pelas obreiras para armazenar alimento.


As obreiras também removem resíduos, criação doente e abelhas mortas. Este comportamento de limpeza é importante para a higiene e resistência da colónia às doenças.


Alimentação da criação e da rainha


As abelhas nutrizes produzem alimento através das glândulas hipofaríngeas e mandibulares. Alimentam as larvas de acordo com a sua idade e tipo, cuidando também da rainha.


A quantidade e qualidade de pólen disponível influenciam diretamente a capacidade das nutrizes para produzir alimento destinado à criação.


Produção de cera e construção dos favos


As obreiras possuem glândulas cerígenas na parte inferior do abdómen. Quando estas glândulas estão ativas, produzem pequenas escamas de cera que são trabalhadas pelas abelhas para construir e reparar os favos.


A produção de cera exige uma quantidade considerável de energia e ocorre principalmente quando existe população jovem, temperatura adequada e entrada de alimento.


Receção e transformação do néctar


As abelhas que regressam do campo entregam o néctar a outras obreiras no interior da colmeia. Estas participam na transformação do néctar em mel, reduzindo progressivamente a sua humidade e adicionando enzimas.


Quando o mel atinge as condições adequadas de conservação, as células são fechadas com uma fina camada de cera.


Armazenamento de pólen


O pólen transportado pelas abelhas campeiras é depositado nas células. Outras obreiras compactam-no e misturam-no com pequenas quantidades de néctar e secreções.


Este alimento, conhecido como pão de abelha, é uma importante fonte de proteínas, gorduras, vitaminas e minerais para a colónia, especialmente para a alimentação da criação.


Saiba mais sobre o pão de abelha


Ventilação e controlo da temperatura


As obreiras regulam a temperatura e humidade da colmeia. Quando está calor, ventilam através do movimento das asas e distribuem água no interior, favorecendo o arrefecimento por evaporação.


Quando está frio, agrupam-se e produzem calor através da atividade muscular. A manutenção de uma temperatura adequada é especialmente importante na zona de criação.


Defesa da colmeia


Algumas obreiras vigiam a entrada e identificam abelhas estranhas ou outras ameaças através do odor. Quando detetam perigo, podem libertar feromonas de alarme que mobilizam outras defensoras.


As obreiras possuem um ferrão ligado a uma bolsa de veneno. Quando picam a pele elástica de um mamífero, o ferrão pode ficar preso, provocando a morte posterior da abelha. Isso não acontece obrigatoriamente quando picam outros insetos.


A rainha também possui ferrão, embora raramente o utilize contra pessoas. Os zangões não têm ferrão.


Voos de orientação


Antes de iniciar regularmente os trabalhos exteriores, a obreira realiza voos de orientação em frente à colmeia. Estes voos permitem-lhe memorizar a posição da entrada e os elementos visuais existentes em redor do apiário.


Alterações importantes na posição da colmeia podem desorientar as campeiras e fazer com que regressem ao local onde a entrada se encontrava anteriormente.


Recolha de néctar, pólen, água e própolis


Na fase final da vida, muitas obreiras tornam-se campeiras e recolhem os recursos necessários à colónia.


* O néctar é utilizado na produção de mel;

* O pólen fornece nutrientes essenciais à criação;

* A água ajuda a regular a temperatura e a preparar alimento;

* As resinas vegetais são utilizadas na produção de própolis.


A quantidade transportada e o número de viagens variam com a distância, clima, espécie vegetal e disponibilidade de alimento. Por isso, não existe um número fixo de voos ou flores visitadas por dia.


Como comunicam as abelhas obreiras?


As obreiras comunicam através de feromonas, contactos físicos, vibrações e danças.


A dança das abelhas permite transmitir informações sobre a direção e distância aproximada de uma fonte de alimento. Outras obreiras podem utilizar essa informação para localizar a floração.


As feromonas de alarme ajudam a organizar a defesa, enquanto outros sinais químicos e físicos participam na alimentação, reconhecimento e organização dos trabalhos.


Quantas obreiras existem numa colónia?


A população varia consideravelmente ao longo do ano. Durante os períodos de maior desenvolvimento, uma colónia forte pode possuir dezenas de milhares de obreiras. No inverno ou em épocas de escassez, a população é normalmente muito menor.


A quantidade de obreiras depende de vários fatores:


* Qualidade e idade da rainha;

* Disponibilidade de alimento;

* Espaço existente para a postura;

* Condições meteorológicas;

* Doenças e parasitas;

* Época do ano;

* Ocorrência de enxameação.


Uma população numerosa não significa necessariamente uma colónia equilibrada. Também é necessário avaliar a criação, as reservas, a sanidade e o espaço disponível.


Quanto tempo vive uma abelha obreira?


A longevidade depende principalmente da época do ano e do trabalho realizado.


Durante a primavera e o verão, quando existe grande atividade de recolha, uma obreira vive normalmente algumas semanas. Os voos frequentes provocam desgaste das asas e do organismo, fazendo com que muitas campeiras morram durante o trabalho no exterior.


As abelhas de inverno podem viver vários meses. Estas apresentam características fisiológicas diferentes, permanecem mais tempo dentro da colmeia e têm como função assegurar a sobrevivência da colónia até ao período seguinte de desenvolvimento.


Qual é a importância das abelhas obreiras na polinização?


Durante a recolha de néctar e pólen, as abelhas transportam grãos de pólen entre flores, permitindo a fecundação e formação de frutos e sementes.


As abelhas melíferas e outros polinizadores contribuem para a produção e qualidade de muitas culturas agrícolas. Aproximadamente 75% dos tipos de culturas alimentares mundiais dependem, pelo menos parcialmente, da ação de polinizadores.


Isso não significa que 75% de toda a quantidade de alimentos produzida dependa das abelhas. Em volume, a polinização animal influencia aproximadamente 35% da produção agrícola mundial.


A eficácia da polinização varia com a cultura, número e localização das colmeias, condições meteorológicas, duração da floração e presença de outros polinizadores.


O que são abelhas obreiras poedeiras?


Quando uma colónia permanece sem rainha e sem criação jovem durante um período prolongado, os ovários de algumas obreiras podem desenvolver-se. Estas começam então a colocar ovos.


Como as obreiras não foram fecundadas, apenas conseguem colocar ovos não fecundados, dos quais nascerão zangões. Esta situação é conhecida como colónia zanganeira ou colónia com obreiras poedeiras.


Alguns sinais possíveis são:


* Vários ovos na mesma célula;

* Ovos colocados nas paredes das células;

* Postura muito irregular;

* Criação de zangão em células de obreira;

* Ausência de criação de obreiras.


A recuperação de uma colónia com obreiras poedeiras pode ser difícil. A introdução direta de uma nova rainha apresenta frequentemente uma elevada probabilidade de rejeição, pelo que é necessário avaliar a população e escolher uma técnica adequada.


Saiba mais sobre a abelha-rainha


Importância das abelhas obreiras para a colónia


A sobrevivência da colónia depende do trabalho coordenado das obreiras. São elas que alimentam a criação, cuidam da rainha, constroem os favos, controlam a temperatura, defendem a entrada e recolhem os recursos necessários.


Individualmente, cada obreira vive apenas algumas semanas ou meses. Em conjunto, milhares de obreiras permitem que a colónia funcione como uma unidade organizada e sobreviva ao longo de vários anos.


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Conheça a função da abelha-rainha


Saiba qual é a função dos zangões