Produção de Pólen Apícola: Recolha e Conservação

O pólen apícola é recolhido pelas abelhas nas flores e transportado até à colmeia em pequenas cargas colocadas nas patas traseiras. Constitui uma importante fonte de proteínas, lípidos, vitaminas e minerais para a alimentação da colónia.

O apicultor pode recolher uma parte deste pólen através de capta-pólen instalados na entrada das colmeias. Depois da recolha, o produto deve ser rapidamente transportado, limpo e conservado por congelação ou secagem, evitando a acumulação de humidade e o desenvolvimento de alterações que prejudiquem a sua qualidade.

Seleção das colmeias produtoras

A produção de pólen deve ser realizada com colmeias fortes, saudáveis e com uma população suficiente para responder às necessidades da criação. Também é importante existir uma entrada abundante e diversificada de pólen na região.

A recolha não deve ser mantida continuamente sem avaliar as reservas existentes nos favos. O pólen é essencial para a alimentação das larvas e das abelhas jovens, pelo que a utilização do capta-pólen deve ser ajustada à força da colónia, à quantidade de criação e à disponibilidade de flora.

As colmeias devem ser acompanhadas regularmente. Se existir uma redução das reservas de pão de abelha ou uma diminuição do desenvolvimento da criação, a recolha deve ser interrompida.

Como funciona um capta-pólen?

O capta-pólen é instalado na entrada da colmeia. Para entrar, as abelhas atravessam uma grelha com orifícios de dimensão adequada. Durante a passagem, uma parte das cargas de pólen desprende-se das patas e cai numa gaveta protegida.

O equipamento deve permitir a passagem das abelhas sem lhes causar ferimentos e assegurar ventilação e proteção contra a entrada de água. A grelha e a gaveta devem permanecer limpas e em bom estado.

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Recolha do pólen no apiário

O pólen fresco possui humidade e começa a perder qualidade rapidamente se permanecer exposto ao calor. Por esse motivo, as gavetas dos capta-pólen devem ser esvaziadas com frequência, preferencialmente todos os dias.

Durante a recolha devem ser utilizados recipientes limpos, secos e destinados exclusivamente a produtos alimentares. O pólen proveniente de cada apiário e de cada dia deve ser corretamente identificado para manter a rastreabilidade.

Transporte do pólen até ao armazém

Depois da recolha, o pólen deve ser transportado em caixas com fundo e paredes de rede, permitindo a circulação de ar durante todo o percurso.

O pólen deve ser distribuído em camadas com menos de 5 cm de altura. Camadas demasiado altas aumentam o peso sobre os grânulos inferiores e, juntamente com os movimentos e solavancos da viagem, podem provocar o seu esmagamento.

As caixas devem permanecer protegidas do sol direto, da chuva, do pó e de outras fontes de contaminação. O transporte deve ser tão rápido quanto possível, evitando deixar o pólen dentro de um veículo fechado e aquecido.

Primeira limpeza do pólen

À chegada ao armazém, o pólen deve ser imediatamente crivado para retirar as impurezas maiores, como fragmentos de cera, partes de abelhas, restos vegetais e outros materiais provenientes da colmeia.

Esta primeira limpeza facilita as etapas seguintes, mas não substitui a limpeza final. Todos os crivos, recipientes, mesas e utensílios devem estar limpos, secos e ser adequados para contacto com alimentos.

Depois desta primeira crivagem, o pólen deve seguir imediatamente para congelação ou secagem. Não deve permanecer durante várias horas à temperatura ambiente enquanto aguarda processamento.

Conservação do pólen fresco

Quando se pretende comercializar ou consumir o pólen em fresco, este deve ser colocado no congelador a uma temperatura próxima de -18 °C imediatamente após a primeira limpeza.

O produto deve ser acondicionado em sacos ou recipientes próprios para alimentos, bem fechados e divididos em quantidades adequadas. Desta forma, evita-se descongelar repetidamente uma quantidade superior à necessária.

A cadeia de frio deve ser mantida durante o armazenamento, transporte e comercialização. Depois de descongelado, o pólen não deve voltar a ser congelado.

Secagem do pólen

Quando se pretende conservar o pólen seco, este deve ser colocado em secadores ou desidratadores de pólen imediatamente após a primeira limpeza.

O pólen deve ser distribuído uniformemente pelos tabuleiros, formando camadas pouco espessas que permitam a passagem do ar. Uma camada demasiado alta provoca uma secagem irregular, deixando zonas com maior humidade.

A temperatura deve ser controlada durante todo o processo e ajustada às características do equipamento. Uma temperatura excessiva pode alterar a cor, o aroma e outras características do pólen.

O tempo de secagem depende da humidade inicial, da quantidade colocada nos tabuleiros, da circulação do ar e das condições existentes no local.

Controlo da humidade

O processo deve continuar até o pólen apresentar um teor de humidade inferior a 6%.

A humidade deve ser verificada com um equipamento próprio para medir pólen. A avaliação apenas pelo toque ou pelo aspeto não permite confirmar com segurança que o produto está uniformemente seco.

Depois da secagem, o pólen deve arrefecer num espaço seco e protegido antes de ser limpo e embalado. Se for embalado ainda quente, pode formar-se condensação no interior do recipiente.

Limpeza do pólen seco

Depois de seco e arrefecido, o pólen deve passar por crivos próprios que permitam separar os grânulos das partículas de diferentes dimensões.

Pode começar-se por um crivo de malha mais larga para retirar as impurezas maiores e passar depois para uma malha mais fina, destinada a separar pó, fragmentos pequenos e partículas resultantes do manuseamento.

Consultar os equipamentos para limpeza e tratamento do pólen

Seleção manual numa superfície branca

Mesmo depois da crivagem, o pólen deve passar lentamente sobre uma superfície branca, limpa e bem iluminada. Esta inspeção permite identificar e retirar manualmente alguma impureza que tenha escapado aos crivos.

O contraste com a superfície branca facilita a deteção de fragmentos de cera, partes de insetos, pequenos resíduos vegetais ou grânulos com aspeto alterado.

Esta é uma etapa demorada, mas importante para obter um produto final limpo e com uma apresentação uniforme.

Embalamento e conservação do pólen seco

Depois de limpo, o pólen seco deve ser embalado rapidamente para evitar que volte a absorver humidade do ambiente. Os recipientes devem ser próprios para alimentos, estar completamente limpos e secos e permitir um fecho eficaz.

Existem diferentes opções de acondicionamento:

Sacos com nitrogénio

O ar existente no interior do saco pode ser substituído por nitrogénio antes da selagem. Este método necessita de equipamento e embalagens adequadas e ajuda a reduzir a presença de oxigénio no interior.

A utilização de nitrogénio não substitui uma secagem correta, a higiene do produto nem um fecho eficaz da embalagem.

Embalamento a vácuo

O pólen pode ser acondicionado em sacos próprios e embalado a vácuo. A intensidade do vácuo deve ser ajustada para evitar o esmagamento excessivo dos grânulos.

Os sacos utilizados devem possuir resistência e capacidade de barreira adequadas ao período de conservação pretendido.

Embalamento em frascos

O pólen seco também pode ser colocado em frascos próprios para alimentos. Os frascos e as tampas devem estar completamente secos e fechar corretamente para impedir a entrada de humidade.

Depois de embalado, o produto deve ser guardado num local fresco, seco e protegido da luz direta.

Identificação e rastreabilidade

Cada embalagem ou lote deve ser identificado com as informações necessárias para conhecer a origem e o percurso do produto. O registo interno pode incluir:

  • Apiário de origem;
  • Data da recolha;
  • Data de congelação ou secagem;
  • Teor de humidade após a secagem;
  • Método de conservação;
  • Número ou identificação do lote.

Não se devem misturar lotes antes de confirmar que todos apresentam condições adequadas. Se um lote tiver sinais de humidade, fermentação, bolor ou odor anormal, deve permanecer separado.

Resumo do processo de produção

  1. Selecionar colmeias fortes e saudáveis;
  2. Instalar e ativar os capta-pólen;
  3. Recolher frequentemente o pólen das gavetas;
  4. Transportar em caixas de rede, formando camadas inferiores a 5 cm;
  5. Realizar uma primeira crivagem à chegada ao armazém;
  6. Congelar imediatamente a -18 °C ou iniciar a secagem;
  7. Secar até obter uma humidade inferior a 6%;
  8. Crivar novamente o pólen depois de seco;
  9. Efetuar uma seleção manual sobre uma superfície branca;
  10. Embalar em sacos com nitrogénio, a vácuo ou em frascos;
  11. Identificar o lote e conservar em condições adequadas.

Uma produção que exige rapidez e higiene

A qualidade do pólen depende da flora visitada pelas abelhas, mas também da rapidez e do cuidado com que é tratado depois da recolha. O transporte arejado, o controlo da humidade, a limpeza e a conservação correta são fundamentais para preservar o produto.

A produção deve ser adaptada às condições de cada apiário e nunca comprometer as reservas necessárias para a alimentação da criação e o desenvolvimento das colónias.

Consulte também o guia sobre produção, extração e conservação do pão de abelha e conheça a produção de outros produtos da colmeia.