Divisão Total de uma Colmeia em Três Núcleos

A divisão total de uma colmeia consiste em utilizar as suas abelhas, criação e reservas para formar três novos núcleos. Um deles fica com a rainha original, enquanto os outros dois recebem novas rainhas ou ficam com criação jovem para produzirem as suas próprias rainhas.

Este método permite aumentar rapidamente o número de colónias, mas elimina temporariamente a capacidade produtiva da colmeia original. Deve ser realizado apenas por apicultores com experiência e utilizando uma colmeia muito forte, saudável e previamente preparada.

Quando realizar uma divisão total?

A colmeia selecionada deve estar completamente desenvolvida e possuir recursos suficientes para formar três novas unidades. Como referência, deve apresentar entre oito e dez quadros bem cobertos por abelhas, criação em diferentes fases e boas reservas de mel e pólen.

Antes da divisão, confirme que a colmeia possui:

  • uma população muito forte;
  • pelo menos oito quadros bem cobertos por abelhas;
  • criação aberta e operculada em quantidade suficiente;
  • ovos ou larvas muito jovens;
  • reservas de mel e pólen;
  • uma rainha com postura regular;
  • ausência de sinais de doença;
  • um nível de varroa devidamente acompanhado.

O trabalho deve ser realizado numa época com temperaturas favoráveis e disponibilidade de alimento. Quando for necessário aumentar previamente a população, a colmeia pode ser preparada através de alimentação de estimulação.

Material necessário

  • três núcleos limpos e compatíveis com os quadros da colmeia;
  • quadros com cera para completar os núcleos;
  • duas novas rainhas, caso não se pretenda que as colónias as criem;
  • alimentadores para fornecer alimento quando necessário;
  • material para fechar e transportar dois dos núcleos em segurança.

Como dividir totalmente uma colmeia?

  1. Avaliar a colmeia
    Confirme que a colmeia possui força, criação, abelhas e reservas suficientes para ser dividida em três partes. Uma colmeia fraca ou com problemas sanitários não deve ser utilizada.
  2. Preparar os três núcleos
    Coloque os núcleos perto da colmeia e prepare os quadros necessários para completar o espaço. Os dois núcleos que serão transportados devem poder ser fechados e ventilados.
  3. Localizar a rainha
    Encontre a rainha original e mantenha-a identificada durante a distribuição dos quadros. Apenas um dos núcleos ficará com esta rainha.
  4. Distribuir a criação
    Reparta os quadros com criação aberta e operculada entre os três núcleos. As duas colônias que ficam órfãs devem receber ovos ou larvas muito jovens caso tenham de criar as suas próprias rainhas.
  5. Distribuir as reservas
    Cada núcleo deve receber alimento suficiente, incluindo reservas de mel e pólen. Os quadros devem ser distribuídos de acordo com a quantidade de criação e a população de cada unidade.
  6. Distribuir as abelhas
    Reparta as abelhas de forma equilibrada, garantindo que cada núcleo possui população suficiente para cobrir e aquecer a criação. Tenha em conta que o núcleo colocado no local original receberá grande parte das abelhas campeiras.
  7. Colocar a rainha original
    Transfira a rainha original para um dos núcleos, juntamente com o quadro onde se encontra. Confirme que os outros dois núcleos ficam efetivamente órfãos.
  8. Completar os núcleos
    Complete o espaço restante com quadros adequados, mantendo a criação reunida para facilitar a conservação da temperatura.

Posicionamento dos três núcleos

Um dos núcleos deve ficar no local ocupado pela colmeia original. Esta unidade receberá as abelhas campeiras que regressarem do campo e ficará, por isso, com uma população adulta superior.

Os outros dois núcleos devem ser transportados, preferencialmente, para outro apiário situado a mais de três quilómetros. Esta distância reduz o regresso das campeiras ao local de origem.

Ao distribuir inicialmente as abelhas, deve ter-se em conta que:

  • o núcleo que fica no local original receberá mais campeiras;
  • os núcleos transportados devem levar abelhas suficientes para manter a criação;
  • todos os núcleos devem permanecer corretamente ventilados durante o transporte;
  • as entradas podem ser reduzidas para facilitar a defesa das novas colónias.

O que fazer com os dois núcleos sem rainha?

Os dois núcleos órfãos podem receber:

  • uma rainha fecundada;
  • uma rainha virgem;
  • uma realeira selecionada;
  • ou criação jovem para produzirem as próprias rainhas.

A introdução de rainhas fecundadas reduz o período sem postura. Se os núcleos criarem as próprias rainhas, devem existir ovos ou larvas suficientemente jovens, zângãos maduros e condições meteorológicas adequadas para a fecundação.

Antes de introduzir uma nova rainha, confirme que o núcleo está órfão e siga o método de introdução adequado ao tipo de rainha e à respetiva gaiola.

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Alimentação dos novos núcleos

Cada núcleo deve possuir reservas suficientes para alimentar as abelhas e a criação. Quando não existe uma entrada natural regular de néctar, pode ser necessário fornecer alimentação líquida através de um alimentador.

As quantidades devem ser ajustadas à força e ao consumo de cada unidade. Evite derrames e mantenha as entradas reduzidas para diminuir o risco de pilhagem.

Consulte o nosso guia sobre alimentação de colmeias e os alimentadores para abelhas.

Acompanhamento depois da divisão

Durante as semanas seguintes, o apicultor deve acompanhar individualmente os três núcleos e verificar:

  • a presença e a postura da rainha original;
  • a aceitação das rainhas introduzidas;
  • a construção e o desenvolvimento das realeiras, quando aplicável;
  • o nascimento, a fecundação e o início da postura das novas rainhas;
  • a evolução da população e da criação;
  • as reservas e o consumo de alimento;
  • o estado sanitário e a presença de varroa;
  • a necessidade de reforçar algum núcleo.

Se existir um desequilíbrio importante, pode ser necessário reforçar uma das unidades com criação operculada proveniente de outra colmeia forte e saudável. Antes de transferir qualquer quadro, confirme que não transporta acidentalmente a rainha.

Cada núcleo deve passar para uma colmeia apenas quando a população ocupar corretamente o espaço disponível e possuir força suficiente para utilizar e defender um volume maior.

Principais riscos deste método

  • enfraquecer demasiado cada uma das novas colônias ;
  • distribuir a criação sem abelhas suficientes para a aquecer;
  • deixar algum núcleo sem reservas;
  • perder população pelo regresso das campeiras ao local original;
  • falhar a aceitação ou a fecundação de uma das novas rainhas;
  • realizar a divisão demasiado tarde para as colónias se desenvolverem;
  • comprometer a produção de mel da colmeia original.

Este método deve ser utilizado quando o objetivo principal é aumentar o número de colónias e não aproveitar a colmeia original para a produção de mel durante a mesma campanha.

Para conhecer outros métodos, consulte o guia sobre desdobramentos de colmeias.

Nota: a divisão de uma colmeia em três núcleos não garante que todos se desenvolvam da mesma forma. O resultado depende da força inicial da colmeia, da distribuição das abelhas e da criação, da qualidade das rainhas, do clima, do alimento disponível e do acompanhamento realizado.